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segunda-feira, julho 28, 2003

A pilinha de Adão 

Todos os dias quando ligo o computador sou brindado com um novo fundo de ecrã. Hoje dei de caras com o tecto da Capela Sistina.
Criação de Adão

Vamos examinar mais de perto esta obra-prima da arte universal:
Pilinha de Adão

Ridículo, não é? Quase deprimente. Daquele modesto caule é suposto ter brotado toda a Humanidade. Motivo mais que suficiente para levar o Darwin a inventar uma teoria atribuindo a nossa ascendência a viris gorilóides. Mas não é disso que quero falar.
A explicação da recorrente hipotrofia da representação da genitália masculina na Arte entre a Renascença e o princípio do séc. XX não tem nada a ver com pudor nem com simbolismo. O Artista tinha de comer e para comer tinha de ser pago e para ser pago o cliente que tinha de ficar satisfeito. Ora o cliente tinha a sua vidinha, a sua mulher, as suas amantes, a última coisa que ele queria era uma estátua mais dotada do que ele no meio da sala de estar, lembrando-as cada vez que limpavam o pó de que havia um mundo lá fora cheio de novas possibilidades. Em suma, pilinhas pequenas na arte fazem bem ao ego do mecenas.
Se alguém quiser saber o tamanho da baguete do Luís XIV, basta fazer a média das estátuas dos jardins de Versalhes, compensando as proporções, e acrescentar 10 centímetros.

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