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segunda-feira, julho 21, 2003

A Reforma das Retretes 

Os europeus estão cada vez mais velhos. Os sistemas de pensões estão atolados em dívidas. Os governos enfrentam a terrível escolha entre impopularidade e questionamento dos princípios de solidariedade social por um lado e insustentabilidade económica por outro. As opções parecem claras: ir aumentando impostos (indefinidamente); incentivar o recurso a fundos de pensões privados; prolongar a vida activa dos trabalhadores (indefinidamente); aumentar o fluxo de entrada de imigrantes (estamos a falar de abrir completamente a torneira, 5 a 10 vezes o fluxo actual segundo a OCDE).
Diz o Economist desta semana que daqui a 50 anos o número de pensionistas por cada 100 trabalhadores activos na Europa passará dos actuais 35 para 75; ora isto quer dizer que cada casal trabalhador vai ter um velhote e meio para sustentar. Se se tratar do avô e metade da sogra, ainda acredito que eles paguem, mas quando o velhote e meio é estatístico, anónimo e aleatório, serão tão generosos?
Eu cá não me fio. Não é esta reforma das retraites do Raffarin que vai resolver o problema em França e também não é a imigração que vai resolver o problema da Alemanha (de acordo com o Deutsche Bank, mesmo considerando um fluxo de 250 000 imigrantes/ano, muito maior que o actual, a população alemã ver-se-á reduzida de 80 milhões a 50 milhões de habitantes até 2100).
Só há uma safa: ouro debaixo do colchão e uma prole numerosa e grata. Toca a produzir e a produzir bem!

Esta solução tem possivelmente o efeito secundário de a nível macro-económico colher o mal logo pela raíz. O problema dos europeus é que não têm incentivos para a produção e têm até muitos para a evitar. Isto vale tanto para a agricultura como para a reprodução da espécie. A contracepção, o trabalho feminino, o carreirismo, a vontade de viajar e aproveitar a vida fazem o papel dos subsídios da PAC para abater vacas leiteiras. Os governos só têm de ser honestos e dizer: "meus amigos, esqueçam lá as pensões que isto quando chegarem a velhos já rebentou; amanhem-se como puderem". Vai ser vê-los a procriar como coelhos na esperança de que os rebentos retribuam. Está resolvido o problema da implosão populacional.

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