<$BlogRSDUrl$>

terça-feira, agosto 19, 2003

O Pêndulo de Foucault 

Instrumento de uma experiência do séc. XIX para demonstrar a rotação da Terra.
Em Paris há dois: o do Panteão e o do Conservatoire des Arts et Métiers.

O do Panteão é maior, mais bonito, mais imponente. Foi lá a experiência original do Foucault. Não estava lá em 88 quando o livro do Eco foi publicado. Os 7 euros do bilhete permitem ver, além do Pêndulo:

- frescos ilustrando a biografia de franceses importantes (isto é, importantes para alimentar o Culto da Nação);
- uma maquete do Panteão e uma maquete da maquete do Panteão e por aí adiante, recursivamente, ad infinitum;
- uma saída de emergência por onde eu poderia ter entrado à borla se soubesse previamente da sua existência (através de uma arquitectura engenhosa é visível apenas pelo lado de dentro);
- uma quantidade notável de gente morta, incluíndo todos os amigos do Napoleão e os amigos dos amigos do Napoleão e por aí adiante, recursivamente, ad infinitum (o Napoleão, curiosamente, não está lá: desfruta da sua reforma de cadáver nos Invalides, enfrentando solitário as hordas de pongas fotómanos).


Por outro lado, na capela das Arts et Métiers um Pêndulo mais modesto é rodeado por:

- uma réplica da estátua da liberdade onde um curioso se pode esconder se quiser a assistir a um ritual invocatório que eventualmente decorra durante a noite à roda do pêndulo;
- aviões dos pioneiros pendurados do tecto como gigantescos morcegos mecânicos adormecidos;
- todo o ambiente místico de um cemitério de saber, engenho e inteligência;
- e, não esquecer, um magnífico espécime do Spectrum 48K, como acabado de sair da caixa de esferovite, numa sala ali mesmo ao lado.

Surge uma questão.
Se há dois, qual deles está afinal pendurado no Único Ponto Fixo do universo, eternamente imóvel, hã?! Ai o caraças! Os putos depois fazem perguntas difíceis e um gajo fica encravado, perdem-nos o respeito todo!

This page is powered by Blogger. Isn't yours?