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terça-feira, agosto 12, 2003

Tácticas Predatórias do Mosquito: A Melga do Ultramar 

A minha querida amiga Filipa que anda emigrada nas profundezas da áfrica mãe-áfrica, dispôs-se também ela participar neste estudo que começa a assumir proporções globais. Em directo da Cidade da Praia, uma contribuição fundamental para essa Alta Ciência que é a culicidiologia:

Ora as melgas cabo-verdianas andem aí. Contrariamente às restantes espécies locais elas não brincam em serviço e trabalham 12 horinhas sem descanso. Não há cá dores de barriga, a graduação da filha, a avó que veio de Sto Antão, as dores de cabeça ou o pai que morreu (pela 3ª vez este ano). Não te consigo aprofundar se são os machos, as fêmeas, "ambos os dois" que atacam mais eficientemente, também não te posso aprofundar sobre quem carrega quem às costas, quem dá de comer aos putos melgas, quem os leva à escola, ou quem põe o "quemer" na mesa (mas na minha opinião acho mesmo que deve ser um trabalho de equipa para a coisa resultar tão bem), posso-te apenas falar de factos. E os factos estão à vista de todos e são as disformes borbulhas que carrego diariamente.
As melgas cabo-verdianas não têm dó nem piedade. O que estiver à mão é o que vai, quer seja no dedão, quer seja o sitio mais desconfortável da cara ou o cotovelo, elas vieram para ficar e não há quem lhes faça sombra. (As baratas com asas cabo-verdianas, segundo me consta, também vieram para ficar, mas têm muito menos arte, muito menos "savoir faire" do que as outras).
Outra característica deste espécimen é o dom da camuflagem. Contrariamente às portuguesas em que o tempo de vida apenas depende do tempo que se aguenta sem acender a luz do candeeiro e empenhar o chinelo na mão, as suas parentes cabo-verdianas primam por levar uma pessoa sã ao desespero às 4.00h da manhã após 15 minutos de chinelo na mão, um cheiro a repelente no quarto capaz de matar uma vaca, e a cama desfeita de servir de escadote. Frequentemente as melgas cabo-verdianas levam a sua melhor. Elas são com certeza a espécie mais evoluída de melgas.
Mas os grandes desafios fazem as grandes invenções e não há lojeca de chinês, loja de ferramentas, ou de artigos variados na grande metrópole que é a Cidade da Praia que não venda rede mosquiteira. "Cá se fazem, cá se pagam"-já dizia a minha porteira. Se o convívio não pode ser são, desinteressado, e uma troca de experiências, então pura e simplesmente não é.

Filipa

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