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quinta-feira, outubro 09, 2003

E Pluribus Unum 

O plágio é uma coisa feia.

Great Seal of the United States of America (circa 1780)
Brasão do Sport Lisboa e Benfica (circa 1910)

O Che mandou da Argentina uma posta muito interessante em que comete de passagem um erro, relativamente insignificante, em que muitos benfiquistas incorrem com frequência. O lema do seu amado clube não é "et pluribus unum" mas "e pluribus unum". Não faz mal nenhum, até porque já ninguém tem obrigação de saber Latim e por isso clubes mais sensatos têm lemas em Português, como "Esforço, Dedicação, Devoção e Glória", evitando erros de ortografia (nem sempre, mas vá...) e de interpretação. O pouco latim que me resta chega para entender que "e pluribus unum" não significa "um por todos e todos por um" nem "de todos o primeiro" nem "e muitas vezes o único" nem nenhuma dessas barbaridades que saem regularmente da boca de alguns lampiões mais preocupados com a emblemática do clube. Na verdade, "e pluribus unum" significa "a partir de muitos, um só", o que, convenhamos, não faz sentido nenhum como lema de um clube de futebol, mas também não se esperava outra coisa.
Ora se não faz sentido num clube de futebol, porque raio é que foi escolhido?
Vou contar um história. Quando eu era muito pequenino e os outros meninos queriam ser bombeiros e astronautas, eu queria ser capitalista. Com 5 ou 6 anos, os meus heróis eram o Tio Patinhas e o Alex do "Family Ties" (também achava piada à Mallory, mas na altura ainda não percebia porquê). Tal como os outros meninos, tinha uma colecção, só que a minha, claro, era uma colecção de dinheiro. Portanto desde tenra idade que estava habituado a ver dólares americanos (na altura cotados a 25 escudos, ai ai que saudades) e, nos dólares, aquela águia e aquele lema. No grande selo americano, criado pouco depois da independência e da união das 13 colónias, "a partir de muitos, um só" é um lema que faz sentido. Quando foi fundado o Sport Lisboa, antes de haver consultores de imagem e técnicas avançadas de branding, um presidente da junta manhoso com um primo na América decidiu que ao preço a que estavam os artistas, mais valia copiar a brasão e o lema e esperar que ninguém reparasse. E não é que resultou? Muito me surpreende que nenhum tubarão da advocacia americano tenha tido alguma vez a ideia de processar o Benfica. Ou talvez algum tenha tido, mas deu uma olhadela às finanças do clube e desistiu da ideia.

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