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quinta-feira, novembro 13, 2003

Castelo Branco 

Consta que isto fica em Castelo Branco, mas não posso atestá-lo pessoalmente
Não conheço, nunca lá estive. Aliás, é de família. Em tempos idos, o meu avô materno prometeu à minha avó (materna, nada de confusões) que havia de levá-la a Castelo Branco. Sempre um romântico, este meu avô. Não foi por falta de empenho, mas a cada tentativa de chegar a Castelo Branco — e foram muitas, ao longos dos anos — uma mão invisível frustrava à última hora os planos cuidadosamente arquitectados. Ainda hoje, várias décadas volvidas, a questão é invocada cada vez que a tensão sobe no casal. Como já li muito Ésquilo, Sófocles e Eurípides (em versão BD, com muitos bonecos, porque as letras cansam-me), tenho consciência de que me é vedado o acesso a essa bela cidade e resigno-me perante a força do destino.

É certo que não tenho qualquer pudor em discutir assuntos que ignoro profundamente, o que é bem patente neste blogue; ainda assim, não vou escrever sobre Castelo Branco. Não, o que eu vou é escrever sobre o Castelo Branco.

um dos cachorros de José Castelo Branco brinca com dono: traquina, puxa os lençóis para o fazer sair da cama; Pedigree Pal só no Sábado porque a fome reaviva os bons instintos do bicharoco As notícias de Portugal chegam-me atrasadas e peneiradas, não porque me falte o acesso à imprensa portuguesa, mas porque normalmente não me apetece lê-la. Por exemplo, demorei quase uma semana a descobrir que o Sr. José Castelo Branco estava na choldra por tráfico de jóias. Não vou debater se o Sr. José Castelo Branco é bicha, arrivista ou alucinado, se traficou ou não traficou, se vai mesmo para a cama com a velhota ou se se limita a apoiar-lhe as (precariamente costuradas) carnes à entrada das festas. Venho tão só exprimir a alacridade com que recebi esta notícia. Porque o verdadeiro crime do senhor é outro, muito mais hediondo.
Há cerca de 20 anos, o Sr. Castelo Branco morava nos arredores de Lisboa acompanhado por um par de dobermanns (ou será "dobermänner") grandes e maus que se enquadrariam com mais naturalidade nas margens do Estige. Tendo já na altura uma postura que não passava despercebida, o Sr. Castelo Branco era alvo natural da chacota dos discentes do Externato ali ao lado: criancinhas da Primária, amorosas, na idade da inocência, ainda com poucas inibições sociais, que torturam os animais por puro prazer, perseguem constantemente os mais fracos, gozam com o colega deficiente, recorrem gratuitamente à agressão física, em suma, os seres mais cruéis à face da Terra. Pois o mau feitio do senhor estava já perfeitamente formado, apesar da juventude e escassas posses, e a tenra idade dos petizes não constituía obstáculo moral. O Sr. Castelo Branco respondia aos comentários e partidinhas inocentes atiçando os dobermanns às criancinhas com um sorriso deformado pela ira, olhos raiados de sangue e um ou outro fio de baba a escorrer pelo queixo.

Muitos dos pequenotes se tornaram adultos torturados pela existência, traumatizados para sempre.
Alguns escrevem em blogues (The horror! The horror!)
Cada dia que esse meliante passe na prisão é bem merecido.


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