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segunda-feira, dezembro 01, 2003

Fronteiras geográficas não intimidam o mito urbano nacional  

Nunca esperei ser perseguido pelo obscurantismo português quase dois mil quilómetros para cá de Vilar Formoso.
Alguém explique por favor à Gwendoline da Silva Batateiro que não existem em Portugal sete pessoas com esse mesmo nome que os seus progenitores lhe infligiram. Ninguém se oferece? É compreensível... explico eu.
Vamos admitir, cara Gwendoline, que, por uma pontual preversão sádica do Criador (não são tão incomuns como isso, as sádicas preversões do Criador que vão pontilhando de algum picante o tédio infinito da Existência Eterna), que sim, que existem, e logo sete. Pois lhe garanto, e este senhor não me deixa mentir, que com isso não tem relação alguma o misterioso algarismo à direita do número do seu bilhete de identidade.
Não interessa, Gwendoline, se todos os seus amigos lá da terra lhe confirmam a fabulação, incluíndo o irrepreensível tio Joaquim da Silva, que até é Presidente da Junta (e que por acaso só tem duas pessoas com o mesmo nome em todo o país). O cargo na administração pública não o qualifica, da mesma maneira que a longa experiência e incontestável estatura do Tarzan Taborda no mundo do Wrestling não o qualificavam para afirmar, naquelas saudosas emissões de Domingo por ele comentadas, que ao "bater muitas vezes com a cabeça, as células vermelhas do sangue transformam-se em água, o que se chama a leucemia, que é uma doença que mata muita gente na luta livre americana"*.
Aproveito para revelar aqui em primeira mão que:
- cortar o cabelo ou tomar um duche depois do almoço não induz paragens de digestão assassinas;
- o banho diário não provoca doenças de pele;
- o vinho misturado no estômago com melancia não a transforma em cortiça;
- o Benfica não tem seis milhões de adeptos**;
- não existem no mundo sete mulheres para cada homem, lamento... não... nem sequer no Brasil;
- os crucifixos não acagaçam os vampiros (por outro lado, alho cru em quantidade suficiente afugenta qualquer um, bom cristão ou possessão demoníaca).

Vem um gajo morar para a ruela onde o Diderot, o d'Alembert, o Rousseau e o Voltaire tomavam a bica juntos antes de irem às meninas, para depois ter de levar em cima com crendice medieval!


*Gostaria de conhecer um dia a história por trás do génio comercial que inventou este mito e o espalhou entre os lutadores para lhes poder vender esteróides à vontade. Da memória destes grandes homens não cuida a História.

**Não consigo pensar num nome menos apropriado para a catedral benfiquista que "Estádio da Luz".



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